HISTÓRIA

O Colégio Sinodal Progresso tem suas raízes ligadas à imigração alemã no Rio Grande do Sul e aos saberes, cultura, religiosidade que, com eles, aportaram nesta terra. 

Os imigrantes alemães chegaram a Montenegro em um período posterior àqueles que iniciaram o processo de imigração no Rio Grande do Sul. Esta cidade, em função de sua localização geográfica, tornara-se um entreposto que recebia a produção colonial dos imigrantes alemães do interior da província e os enviava aos centros consumidores através do Rio Caí. Em 1850, a povoação nascente de Montenegro passou a receber o influxo de uma grande quantidade de artesãos alemães. Estes não vieram, em sua grande maioria, por iniciativa oficial. 
Eram particulares que encontraram nesta vila movimentada pelo comércio, a oportunidade de realizarem seus ofícios. Assim, surgiram casas comerciais, armazéns, depósitos, empresas de navegação para o transporte de mercadorias e passageiros, assim como pequenas indústrias como curtume, serraria, olaria, que movimentaram ainda mais o porto. 
Neste contexto o Colégio Sinodal Progresso foi criado.
Este ambiente nem sempre contemplava aspectos considerados fundamentais para os colonos como a educação e a fé religiosa. Uma parte considerável destes imigrantes era luterana e, apesar de a Constituição do Império do Brasil garantir-lhes liberdade de credo religioso, havia restrições, pois o catolicismo era a religião oficial do Império. 
A fim de preservar sua identidade confessional, os imigrantes alemães luteranos fundaram em Montenegro, ao que tudo indica já em 1864, a “Communidade Evangélica Allemã”. Não havendo templo, os fiéis reuniam-se em uma residência e o pastor que atendia outras comunidades, vinha uma vez por mês a cavalo visitá-los. 
O segundo pastor desta comunidade, João Schwarz, já pode realizar seus cultos na primeira “Casa de Oração”. Uma igrejinha modesta que tornou-se igualmente o espaço de escolarização das crianças luteranas. 

 

No final do século XIX e início do século XX, vários pastores assumiram os trabalhos na Paróquia Evangélica de São João de Montenegro e simultaneamente atendiam o colégio como diretores e professores. É importante lembrar que na época o Estado ainda não havia assumido a educação no país. Não haviam professores formados, muito menos subsídios para a construção de escolas.
Estas só existiam onde as comunidades locais se mobilizavam para tal fim: o terreno, o material de construção, os móveis, enfim, tudo era doado pelos membros da comunidade. O material didático vinha da Alemanha. O professor era o pastor porque este, em geral, era culto e capacitado a lecionar (para se ter uma idéia, em 1900, dos 30 pastores do Sínodo apenas quatro não trabalhavam em escolas). 
Até há pouco tempo, o ano de 1881 era considerado como o ano de fundação do Colégio Sinodal Progresso. A partir de pesquisas efetivadas pelo pastor Klaus Meirose, constatou-se através de documentação, que o Colégio Sinodal Progresso já existia do ano de 1876. 
Em 1895, por iniciativa do pastor Gustav Geisler, os paroquianos iniciaram a construção do prédio que ainda hoje atende às atividades da escola.

As dificuldades iniciais eram grandes e o colégio as vencia com contribuições espontâneas dos membros, da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas – OASE, e da promoção de Kerbs . Os alunos foram atendidos gratuitamente até 1915, quando passou-se a cobrar uma mensalidade mínima. 
O Colégio destacou-se na comunidade montenegrina a partir de 1910, durante a gestão do pastor Dr. Bruno Stysinski, que “desde logo imprimiu ao Collegio Evangélico , os traços de seu caráter, tais como: a disciplina, a ordem, a pontualidade, a fidelidade no cumprimento do dever e a devoção ao estudo” ( Montenegro Ontem & Hoje p.138). Tais características não somente atendiam ao paradigma educacional da época, como por muito tempo, identificaram o próprio fazer pedagógico desta instituição. 
O Colégio mantinha uma biblioteca “que realmente era utilizada pelos alunos para pesquisa e recreação”( idem). A cada ano, no mínimo duas a três vezes, “havia apresentações teatrais (dos alunos da escola), que consistiam de um drama, uma comédia, bailados ou ginástica rítmica, afora os cantos( ibidem) que eram muito apreciados pela comunidade montenegrina e por cidades vizinhas, onde se apresentavam. 
Disto concluímos que, ser um espaço de promoção de cultura, é um objetivo que perpassa toda a história do Colégio Sinodal Progresso e retrata sua filosofia. 
Coube ao pastor Wilhelm Scherer, que sucedeu Stysinski em 1927, criar o “Jardim de Infância”, o qual foi instalado na própria casa paroquial. “Nela havia um grande pátio e neste, uma frondosa gabirobeira, a cuja sombra, a criançada podia passar o dia ao ar livre, brincando ou estudando. Em dias de chuva e de frio, eram elas levadas para a grande sala de jantar, onde ao calor de um pequeno aquecedor a lenha, as horas passavam velozes.” 
Ao imaginarmos esta cena não podemos deixar de perceber a escola como extensão do lar. Ser um espaço afetivo é outra característica que perpassa a história desta “casa de ensino”, pois inúmeros depoimentos de ex-alunos do CSP pontuam o convívio prazeroso (quase familiar) que tiveram enquanto estudaram aqui.
A partir de 1930 a contratação de professores tornou-se necessária para atender os alunos que já passavam de cem. Dos registros que encontramos sobre estas profissionais, todas destacam-se pelo bom relacionamento que mantinham com seus alunos, dentro e fora da sala de aula. 
As contribuições dos membros da comunidade sempre foram fundamentais para manter a escola funcionando pois não era auto-sustentável, visto que o ensino era ministrado sem nenhum ônus para o aluno. Assim, por várias vezes a escola esteve próxima de fechar suas portas. Somente em 1956 a escola começou a receber alguns professores cedidos pela prefeitura. 
O ano de 1939, ano da nacionalização do ensino trouxe para o colégio mudanças radicais que interferiram de tal forma no seu andamento que em 1940 a instituição foi fechada e suas dependências foram alugadas para moradia. Este foi triste período da II Guerra Mundial onde a cultura alemã foi profundamente contestada em nosso meio. A escola fechou e com isto se foram anos de construção e qualificação do ensino em Montenegro. 
É importante salientar que durante a gestão do pastor Bruno Stysinski O Colégio Sinodal Progresso oferecia aulas noturnas à pessoas que necessitavam qualificar-se para os empregos em indústria e comércio que floresciam em Montenegro. Além disso uma importante e especial característica esteve presente desde o início da escola – ela sempre foi mista, ou seja, tanto meninas como meninos recebiam educação em suas classes. 
Somente em 1952 a escola reabriu as portas, por iniciativa da comunidade, com o nome de Escola Evangélica Progresso. Realizou-se a primeira festa de ex-alunos cuja renda foi destinada a reformas no prédio escolar. 
Nas duas décadas seguintes a escola passou diversas vezes pelo risco de ser fechada e contou com diversos auxílios para manter-se. Por vezes a OASE pagava uma professora e a comunidade outra; ora conseguia-se algum auxílio com a prefeitura e com o estado; em alguns casos obreiras diaconisas ou pastores aposentados ofereciam-se para dar aulas gratuitamente na escola; e assim a escola foi se mantendo oscilando entre altos e baixos. Em 1971 o Colégio oferecia a comunidade Jardim de Infância e as séries iniciais do Ensino Fundametal. 
Durante anos o colégio desenvolveu o ensino de 1ª a 4ª série, sendo instalada a 5ª série, através da Portaria/SE de Designação nº 294, de 26 de fevereiro de 1992. 
Gradativamente as demais séries foram sendo implantadas e para isso precisou expandir seu espaço físico, construindo um novo prédio, à mesma rua, em quadra diferente, separado por via de acesso. Em janeiro de 1997 é autorizado o ensino de 2º grau, através do parecer 150/97.

Estamos em 2015 comemorando 139 anos, desenvolvendo pessoas, Formando Empreendedores, algo preconizado desde sempre no Colégio Sinodal Progresso. 

Bibliografia:
CAMPOS, José Candido de Campos Netto. Montenegro. Montenegro, Gehlen, 1924.
DREHER, Martin N. Igreja e Germanidade – Estudo crítico da história da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. 
São Leopoldo: Ed. Sinodal, 1984.
SIMPÓSIO DE HISTÓRIA DA IGREJA. 23 A 24 DE MAIO DE 1986, São Leopoldo: Rotermund & Ed Sinodal.
ESCRITOS PEDAGÓGICOS DE MARTIN LUTERO. Buenos Aires; Iglesia Evangélica Luterana Unida, 1996.
Montenegro Ontem & Hoje...... STRAHER, André texto sobre a história do Colégio Sinodal Progresso, 1997.